Segunda-feira, 31 de Julho de 2006

10 anos de impunidade

MassacreCarajas.jpg

Troncos em homenagem às vítimas do Massacre do Eldorado dos Carajás.

No dia 17 de abril de 1996, rodovia PA-150, próximo a Eldorado dos Carajás, sul do Pará, trabalhadores rurais sem terra organizados pelo MST, inclusive mulheres e crianças, que marchavam até Belém para pressionar o governo estadual pela desapropriação da fazenda Macaxeira, haviam decidido na véspera reivindicar ônibus ou caminhões para acelerar a chegada à capital. Eles bloquearam a rodovia; a tropa da PM foi acionada e em pouco tempo houve uma negociação, prontamente atendida pelo MST: os ônibus seriam enviados se eles desbloqueassem a rodovia.

O que parecia ser um ato de boa vontade foi, ao que tudo indica, uma armadilha: segundo relatos de sobreviventes do massacre, as promessas do comandante da PM não foram cumpridas. A PM bloqueou a rodovia com um caminhão, e tropas vindas dos dois sentidos da rodovia (de Marabá e de Parauapebas) encurralaram os trabalhadores sem terra, armados apenas com paus, pedras e suas ferramentas. Os soldados vieram fortemente armados e não estavam identificados... Algo muito incomum para uma simples desocupação de rodovia, ainda mais quando se trata de pessoas desarmadas.

A PM chegou lançando bombas de gás lacrimogêneo e atirando, primeiro para o alto e depois em direção aos manifestantes. Não houve qualquer tipo de negociação. Diante da brutalidade da PM, os sem terra tentaram se defender com o que tinham às mãos - paus, pedras, ferramentas de trabalho e tiveram que recuar. Muitos foram mortos e feridos. No total, 19 homens foram assassinados e, segundo a perícia, em muitos casos à queima-roupa, com tiros no tórax ou na cabeça. Outros foram chacinados a golpes de foice e de facão, quando já estavam feridos ou totalmente imobilizados. Não há relatos de mulheres e crianças terem sido assassinadas, o que sugere uma seletividade por parte da PM. O exército teve uma participação antes do massacre, com infiltração e trabalho de inteligência. A repressão fez um trabalho de coleta de informações, identificando as lideranças mais combativas.

Hoje, o caso completa 10 anos, mas os 144 policiais incriminados foram absolvidos e apenas dois comandantes – Coronel Mário Colares Pantoja e Major José Maria Pereira Oliveira – foram condenados a 228 e 154 anos de prisão, respectivamente. Nenhum deles está preso.

publicado por Amandinha às 22:19

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