Domingo, 28 de Maio de 2006

TGI

Ontem foi o dia da entrega do meu projeto de TGI e, finalmente, tirei um peso das minhas costas. Terminada a etapa de leituras, fundamentações teóricas e blablablas, chegou a hora de concentrar todos os esforços na produção da peça jornalística: o vídeo-documentário.

Segue, abaixo, a introdução do “meu filhinho”.

Esse trabalho pretende abordar a história do fenômeno de exploração do ouro no garimpo de Serra Pelada, entre os anos de 1980 e 1992.  A base desse levantamento histórico será as versões do que foi Serra Pelada contadas por oito personagens que vivenciaram a sua história. Serão registrados os detalhes de suas aventuras, o que perderam, adquiriram ou o que simplesmente mudou na sua vida durante a permanência na região.

A escolha do tema foi feita levando em consideração a relevância do episódio Serra Pelada dentro do contexto social e econômico do Brasil. O local tornou-se  o maior garimpo a céu aberto do mundo e, mesmo com sua importância, há uma carência de bibliografias e trabalhos acadêmicos a cerca desse tema. Os poucos que existem têm uma abordagem mais voltada para questões ecológicas e geográficas.

Existe, no entanto, um vasto número de reportagens e matérias jornalísticas sobre a época do auge e decadência de Serra Pelada feitas pela imprensa brasileira, que agiu como importante dissipadora de dados a respeito da região. Embora tenham sido publicadas bastantes informações a respeito do garimpo, percebemos que ainda há muita história a ser contata.

Sendo assim, pretendemos aguçar e estimular a criticidade das pessoas e fazer com que elas compreendam Serra Pelada por meio de uma seleção de relatos reais. A idéia é deixá-las criar suas próprias impressões sobre o fato.

Com isto, discutiremos a pretensa busca do jornalismo pela verdade absoluta, um fenômeno da comunicação capaz de supervalorizar as versões jornalísticas em detrimentos das versões pessoais, ou seja, de pessoas que tenham vivenciado e vivido o fato. Como ponto de partida, teremos a idéia de Clovis Rossi de que “o jornalismo é a eterna busca pela verdade mais próxima”.

Colocaremos em pauta esse paradigma da atividade jornalística e mostraremos a importência de diferentes versões para a compreenção de um fato ou momento histórico.

O que vai nortear este trabalho, portanto, é o uso da memória como figura fundamental no resgate da história como sobrevivente do passado, em paralelo ao papel do trabalho jornalístico e seu envolvimento com a objetividade e a verdade.

“Na maior parte das vezes, lembrar não é reviver, mas refazer, reconstruir, repensar, com imagens e idéias de hoje, as experiências do passado. A memória não é sonho, é trabalho. Se assim é, deve-se duvidar da sobrevivência do passado ‘tal como foi’, e que se daria no inconsciente de cada sujeito. A lembrança é uma imagem construída pelos materiais que estão, agora, a nossa disposição, no conjunto de representações que povoam nossa consciência atual. Por mais nítida que nos pareça a lembrança de um fato antigo, ela não é a mesma imagem que experimentamos na infância, por que nós não somos os mesmos de então e porque nossa percepção alterou-se e, com ela, nossas idéias, nossos juízos de realidade e de valor. O simples fato de lembrar o passado, no presente, exclui a identidade entre as imagens de um e de outro, e propõe a sua diferença em termos de ponto de vista”. (BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade – lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1991994: p.55).

Como forma de tornar mais clara a compreensão do assunto tratado, usaremos dados oficiais junto ao Ministério da Fazenda, Governo Estadual do Pará e Prefeitura Municipal de Belém, para expor a história política, social e econômica de Serra Pelada.

O produto deste trabalho será registrado em um vídeo documentário que, diferente de outras mídias, evoca um maior número de sentidos – visual, auditivo e sensorial – de forma a facilitar a compreensão do tema.

publicado por Amandinha às 00:11

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De Nga-do-Leite a 31 de Maio de 2006 às 14:29
oxente, Tati, por que será que ele sumiu? Não vi nada escrito antes... Mistério...!
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